3.º Domingo do Advento – A
Serreleis, 12 de Dezembro de 2010
«Tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas» - recomendou-nos há momentos São Tiago (5,10). E qual o maior dos profetas, segundo Jesus no evangelho de hoje (Mt 11,11)? João Baptista.
Esta figura misteriosa que contemplámos já no Domingo passado. Mas que hoje nos é iluminada sob um prisma diferente: trata-se daquilo que, talvez sem abuso, podemos chamar como «conversão de João Baptista». Pode ter-vos passado despercebido (porque é um pormenor quase imperceptível na proclamação do evangelho), qual é o local donde João envia os mensageiros a Jesus: «da prisão» (Mt 11,2). De facto, após denunciar publicamente o adultério de Herodes que convivia com Herodíades, esposa de seu irmão, o Baptista foi lançado nos calabouços. E que drama interior deve ter vivido ele, afastado do povo e em aparente fracasso, ao saber que Jesus estava nas antípodas da sua pregação. Ele era manso, misericordioso, até amigo dos pecadores! Então… tudo o que dissera o Baptista estava errado? Era preciso ter a certeza e mandou os emissários.
Jesus responde-lhe apelando para o testemunho… não só das suas obras mas das Escrituras. João Baptista conhecia bem as profecias do Antigo Testamento e Jesus cita-lhas. João perguntara: «és Tu aquele que há-de vir…?»; Jesus responde-lhe com o texto de Isaías que escutámos na primeira leitura e que introduzia os sinais da chegada do Messias com as palavras: «o vosso Deus vem e então…» (Is 35,4). Cristo manda: «ide dizer a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem» (Mt 11,5); Isaías disse: «então se abrirão os olhos dos cegos» (35,5). Jesus continua: «os coxos andam»; Isaías profetizara: «o coxo saltará como um veado». Mas não basta, diz Jesus: «os leprosos são curados, os surdos ouvem»; Isaías sonhara: «a língua do mudo cantará de alegria». E, finalmente, testemunha Jesus: «os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa Nova!» e Isaías concluíra com «hão-de chegar com brados de alegria, com eterna felicidade […] reinarão o prazer e o contentamento, acabarão a dor e os gemidos». Não era preciso dizer mais. Quando João Baptista soube disto, pensou para consigo: «missão cumprida, é mesmo Ele».
Agora pensai comigo nas palavras de Jesus traduzidas hoje como «aos pobres é anunciada a Boa Nova» e que podíamos antes dizer como «aos pobres é anunciado o Evangelho» para compreender melhor que se trata de nós e de todos os que hoje ouvem, nos quatro cantos da terra, a Palavra de Deus, bem para além das fronteiras do povo de Israel. E este é motivo de enorme alegria! Porque a nós chegou e continua a chegar a Palavra de Deus que abre os olhos, os ouvidos, a boca e o coração; que solta as pernas e dá vida aos corações mortos pelo pecado. Então sabemos porquê este é o Domingo da alegria e porque a cor dos paramentos (rosados) e da vela da Coroa de Advento é tão moderna! :) Porque saber que Deus vem a nós e nos salva é motivo de imenso júbilo, esse mesmo júbilo a que Isaías convidava na primeira leitura dizendo por 7 vezes e de formas diversas alegria, exultação, júbilo, felicidade, prazer, contentamento!
Esta é, porém, uma realidade e uma promessa: a alegria de Deus deve ainda invadir tantos corações humanos possuídos pelo pessimismo e pela tristeza. «Ide contar» mandou Jesus; «Anunciar» é o verbo que hoje destacou a catequese junto à Coroa de Advento. A nós compete prosseguir a missão do Baptista: «irmãos, tomai como modelos os profetas…». E Jesus, citando também Malaquias (31,) explicou a respeito de João: «vou enviar à tua frente o meu Mensageiro». Eis-nos, pois, constituídos em mensageiros de Jesus, enviados a preparar o seu caminho. É este o sentido da despedida da Missa: «ide em paz e que o Senhor vos acompanhe». Vos acompanhe em quê? No caminho para casa?! Não, ou melhor, não apenas! :) No caminho da vida, a preparar os seus caminhos.
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