segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

III Domingo do Tempo Comum – A

III Domingo do Tempo Comum – Ano A
Serreleis, 23 de Janeiro de 2011

O início da pregação de Jesus e do anúncio e instauração do Reino de Deus, coincide com a saída de cena do Baptista. Pouco depois de ser preso, foi decapitado (Mt 14); entretanto, Jesus iniciara a percorrer toda a Galileia e foi habitar em Cafarnaum, motivo pelo qual Mateus cita Isaías (o mesmo texto que é proclamado na primeira leitura: 8,23—9,3) dizendo «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz», aliás o mesmo texto proclamado na Missa de Natal. De facto, sempre que Jesus aparece, entram a alegria e a salvação: Jesus é a luz que brilha indicando-nos o caminho no meio das trevas quotidianas, dos problemas, da sociedade hostil e materialista.
Por outro lado, Jesus não quer agir sozinho e opera o chamamento dos discípulos. Hoje escutamos a vocação de Simão Pedro e seu irmão André, e de Tiago e João. Para o «arrependimento» do povo, o ensino do Evangelho e a cura das enfermidades e doenças, Jesus quis e quer contar com a colaboração dos seus discípulos. Tradicionalmente este texto é lido em clave vocacional para os sacerdotes e religiosos/as mas ele destina-se em igual medida aos leigos! Todos os baptizados são chamados por Jesus a participar na sua missão e no anúncio do Evangelho. Se não, repare-se em que momento Jesus chama os quatro primeiros apóstolos: a Pedro e André, mesmo no meio do trabalho, enquanto «lançavam as redes ao mar» (quantas vezes não é senão no trabalho que há mais necessidade de seguir Jesus com as palavras e o exemplo e até com a oração?!) e, a Tiago e João, chama-os do seio familiar pois diz Mateus que «estavam na companhia de seu pai, Zebedeu» (não é muitas vezes a própria casa o local de maior anúncio do evangelho? Quantos pregam para fora aquilo que não vivem dentro de portas…!). Importa que cada crente, homem ou mulher, criança, jovem ou adulto se pergunte se está pronto a «deixar as redes e seguir Jesus», ou seja, a negar-se a si mesmo para imitar e obedecer a Cristo. Cada um deve pensar se, em casa ou na escola, no campo ou na oficina, na rua ou na loja, na fábrica ou no supermercado, é deveras um/a cristão/ã que vive os mandamentos com coerência e verdade ou se é apenas um crente por tradição familiar ou social. Como saber isso? É fácil (?!): nos evangelhos dos próximos Domingos, onde irá aparecer o Sermão da Montanha que resume toda a Palavra de Jesus e a vida que os cristãos devem ter, cada um deve dar conta se acredita nessa Mensagem e se procura vivê-la, lembrando-se e orientado por ela o dia-a-dia.
Hoje Jesus diz-nos pelo nome: «Eu chamo-te. Vens?». E nas próximas semanas: «para ficar comigo, a vida deve ser assim… Queres?»
            Far-nos-á muito bem ler em casa, de novo, a segunda leitura: 1 Cor 1,10-13.17. Aí S. Paulo exorta para a unidade entre os crentes. Quem quebra a ligação com os irmãos, rasga a carne de Cristo. Na diversidade pessoal e grupal, só podemos ser Um.

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