segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

II Domingo do Tempo Comum – A

II Domingo do Tempo Comum – Ano A
Serreleis, 16 de Janeiro de 2011

Com o memorial do Baptismo do Senhor que celebrámos no Domingo passado, (re)iniciámos – na Liturgia – a contemplação da «vida pública» de Jesus, isto é, o Filho de Deus é dado e dá-se a conhecer pelos homens. Após a Epifania e até, sensivelmente, os trinta anos, Jesus permaneceu no silêncio e na intimidade do lar de Nazaré, com seus pais e na oficina, demonstrando assim que este é o âmbito natural de santificação do ser humano: a família e o trabalho. Porém, com o Baptismo no Jordão, manifesta-se a Santíssima Trindade (o Filho, a voz do Pai e o Espírito Santo em forma de pomba) e Jesus é «confirmado» na missão («Escutai-O») e, a partir daí, já não vive para e com Maria e José mas inicia o seu ministério itinerante de anúncio do Reino por toda a Judeia. Liturgicamente chama-se a este período depois do Natal e antes da Quaresma, depois da Páscoa e até ao fim do ano antes do Advento, como Tempo Comum, isto é, a consideração da vida de Jesus nestes momentos do dia-a-dia, sem referir-se em particular aos grandes passos da história de Jesus e da salvação.
Ao considerar hoje este trecho de são João (no Domingo anterior e em todos os próximos até meados de Março escutaremos sempre são Mateus, e a isto chamamos Ano A – pois é este o evangelista que mais escutamos neste ano), a liturgia convida-nos a iniciar uma viagem interior, uma caminhada com Jesus, na escuta da Sua Palavra e na imitação dos seus gestos. E, para que não haja dúvidas, coloca-nos João Baptista a dar lugar a Cristo: encerra-se a missão do primeiro e abre-se o tempo do segundo. João Baptista aponta Cristo como «o Cordeiro de Deus» e encaminha os seus discípulos para o seguimento de Jesus (em todas as Eucaristias, repete-se este gesto depois da «fracção do pão» e mesmo antes da Comunhão e é-nos também indicado Jesus no sacramento do Altar). Portanto, é isso que João Baptista nos diz também a nós: «quereis amar a Deus e adorá-l’O de verdade? Segui Jesus, escutai e obedecei às Suas Palavras, fazei parte da Sua comunidade de discípulos que é a Igreja». E isso faremos nos próximos Domingos, dias e semanas, com a ajuda do Evangelho e da Eucaristia e da assembleia dominical.
Detenhamo-nos um pouco nas palavras inaugurais não só da segunda leitura de hoje mas de toda a primeira carta aos Coríntios (1,1), cuja leitura hoje iniciamos e que se prolongará por algumas semanas: «Paulo […] à Igreja de Deus que está em Corinto, aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados à santidade, com todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo». Esta não é, pois, uma saudação vaga e universal mas a pessoas bem concretas às quais Paulo se dirige: «à igreja de Deus que está em Corinto». Assim a Igreja não é uma vaga instituição, uma corporação espiritual com chefes e súbditos, uma religião entre outras. Ela é «de Deus». Ou seja, pertence-Lhe por direito e por aquisição. Por direito porque foi por Ele fundada e por aquisição porque a comprou a preço de sangue (Col 1,20; 1 Cor 6,20; 7,23; Ap 5,9), o Seu próprio sangue. E essa Igreja está implantada numa terra, numa cultura, num povo, numas gentes, numa família: Paulo escreveu «à Igreja que está em Corinto» mas também «a todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Jesus» e nesses entramos nós, igreja de Serreleis. Quando é dito «Igreja paroquial de São Pedro de Serreleis» não estamos a falar das pedras deste edifício mas sim das pedras vivas que somos cada um de nós e que nos reunimos, sim, neste edifício, morada de Deus no meio de nós. Finalmente prestemos atenção à expressão paulinas: «que foram santificados em Cristo Jesus» mas também «chamados à santidade». Santidade significa aqui e sempre profunda e autêntica união com Deus, não significa mãos postos e cabeça inclinada nem muito menos beatério. Significa união com Deus a toda hora e em qualquer lugar. Nós, pároco e paroquianos de Serreleis, fomos santificados no Baptismo mas também somos «chamados à santidade», quer dizer que ainda estamos a caminho em crescer na união com Deus. Ninguém pense que isto significa chegar ao nível de lhe porem uma imagem na igreja! Isso é outro assunto que compete à vontade de Deus de afirmar exemplos e testemunhas que brilham com a graça de Deus! A nós compete ser os santos no meio do mundo, no trabalho e na escola, no campo e na oficina, no lar e na igreja.
Para aprender esse mistério de santidade e como corresponder a essa «vocação universal à santidade», como lhe chama os documentos da Igreja (LG 32. 39), abramos o coração e deixemo-nos transformar pela Sua Palavra. Sigamos Jesus e não nos enganaremos, mesmo se pecamos.

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