sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ser Igreja diocesana com Frei Bartolomeu dos Mártires




A diocese de Viana do Castelo aproxima-se das comemorações dos quarenta anos da sua fundação por Paulo VI, com a bula Ad aptiorem populi Dei, de 03 de Novembro de 1977. Neste contexto, preparamos também e aguardamos o anúncio da feliz data da canonização do arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires, que quis viver e morrer em Viana da Foz do Lima.
            A ocasião, pois, é propícia para olharmos para este luminar da Igreja portuguesa e, com ele, identificar duas áreas de força e dois desafios da mais jovem diocese de Portugal.

1.      O presbitério e os fiéis. 
Continuamos a ser uma das dioceses portuguesas com o presbitério mais jovem e numeroso, em termos proporcionais. E é bonito participar nas reuniões arciprestais e celebrações diocesanas onde reina uma grande fraternidade entre os padres mais novos e os padres mais “presbíteros”, isto é, anciãos. As nossas assembleias dominicais são ainda das mais participadas em Portugal e não se trata apenas do chavão dos praticantes com baixo nível de literacia: muitos dos nossos crentes vivem, estudam e trabalham em vários pontos do país e regressam à paróquia aos Domingos. Graças a Deus, temos um bom número de seminaristas menores e maiores que são uma promessa de Deus e uma alegria para a nossa diocese.
Mas temos ainda muita necessidade de promover uma fé esclarecida e de aceitarmos todos – padres e leigos – o paradigma da formação permanente. A maior acção de Frei Bartolomeu foi a pregação. Nela se gastou e por ela consumiu a garganta e as mãos com que escreveu o Catecismo, as Práticas Espirituais, o Estímulo de Pastores, o Comentário aos Salmos… Não são as suas relíquias, mas as suas obras que temos de passar de mãos em mãos; a sua doutrina – não os seus despojos – são a maior herança que nos deixou. E temos dificuldade em compreender, aceitar e amar este facto. É verdade que o povo já não grita “benta seja a santa Trindade, irmã de nossa Senhora”, mas a religiosidade popular só por si não é garantia de vida cristã.

2.     A unidade da igreja diocesana
Uma certa ideia poética faz pensar que a unidade eclesial consiste na ausência de tensões. Pensar assim é ignorar as Escrituras (sobretudo os Evangelhos e os Actos). A unidade não é um sentimento de harmonia psicológica; é um dom do Espírito Santo que se torna evidente quando as diferenças e as fragilidades não são obstáculo para o trabalho em comunhão. E, nesse sentido, podemos dizer que vivemos em profunda comunhão. As excepções confirmam a regra, como em todo o mundo, como no livro dos Actos…
Por outro lado, a breve história da nossa diocese faz que muitos alimentem a ilusão de que o forte sentimento identitário (tantas vezes exacerbado e pouco cristão) doutras dioceses se consolidou em menos de quarenta anos… Frei Bartolomeu percorreu por inteiro a sua diocese para aplicar o concílio e construir a unidade, teve que enfrentar o cabido bracarense para fundar o seminário e quis sessenta quilómetros de distância entre o Colégio dos jesuítas e o Convento dominicano...

Neste momento favorável que Deus nos concede, celebramos com alegria a condição de povo peregrino de Deus entre o Minho e o Lima. Mas ainda não chegamos a meta, da mesma forma que o rio não acaba de chegar ao mar.



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