A
diocese de Viana do Castelo aproxima-se das comemorações dos quarenta anos da
sua fundação por Paulo VI, com a bula Ad aptiorem populi Dei, de 03 de
Novembro de 1977. Neste contexto, preparamos também e aguardamos o anúncio da
feliz data da canonização do arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires, que quis
viver e morrer em Viana da Foz do Lima.
A ocasião, pois, é propícia para
olharmos para este luminar da Igreja portuguesa e, com ele, identificar duas
áreas de força e dois desafios da mais jovem diocese de Portugal.
1. O presbitério e os fiéis.
Continuamos
a ser uma das dioceses portuguesas com o presbitério mais jovem e numeroso, em
termos proporcionais. E é bonito participar nas reuniões arciprestais e
celebrações diocesanas onde reina uma grande fraternidade entre os padres mais
novos e os padres mais “presbíteros”, isto é, anciãos. As nossas assembleias
dominicais são ainda das mais participadas em Portugal e não se trata apenas do
chavão dos praticantes com baixo nível de literacia: muitos dos nossos crentes
vivem, estudam e trabalham em vários pontos do país e regressam à paróquia aos
Domingos. Graças a Deus, temos um bom número de seminaristas menores e maiores
que são uma promessa de Deus e uma alegria para a nossa diocese.
Mas
temos ainda muita necessidade de promover uma fé esclarecida e de aceitarmos
todos – padres e leigos – o paradigma da formação permanente. A maior acção de
Frei Bartolomeu foi a pregação. Nela se gastou e por ela consumiu a garganta e
as mãos com que escreveu o Catecismo, as Práticas Espirituais, o Estímulo de
Pastores, o Comentário aos Salmos… Não são as suas relíquias, mas as suas obras
que temos de passar de mãos em mãos; a sua doutrina – não os seus despojos –
são a maior herança que nos deixou. E temos dificuldade em compreender, aceitar
e amar este facto. É verdade que o povo já não grita “benta seja a santa
Trindade, irmã de nossa Senhora”, mas a religiosidade popular só por si não é
garantia de vida cristã.
2. A unidade da igreja diocesana
Uma
certa ideia poética faz pensar que a unidade eclesial consiste na ausência de
tensões. Pensar assim é ignorar as Escrituras (sobretudo os Evangelhos e os
Actos). A unidade não é um sentimento de harmonia psicológica; é um dom do
Espírito Santo que se torna evidente quando as diferenças e as fragilidades não
são obstáculo para o trabalho em comunhão. E, nesse sentido, podemos dizer que
vivemos em profunda comunhão. As excepções confirmam a regra, como em todo o
mundo, como no livro dos Actos…
Por
outro lado, a breve história da nossa diocese faz que muitos alimentem a ilusão
de que o forte sentimento identitário (tantas vezes exacerbado e pouco cristão)
doutras dioceses se consolidou em menos de quarenta anos… Frei Bartolomeu
percorreu por inteiro a sua diocese para aplicar o concílio e construir a
unidade, teve que enfrentar o cabido bracarense para fundar o seminário e quis sessenta
quilómetros de distância entre o Colégio dos jesuítas e o Convento dominicano...
Neste
momento favorável que Deus nos concede, celebramos com alegria a condição de
povo peregrino de Deus entre o Minho e o Lima. Mas ainda não chegamos a meta, da
mesma forma que o rio não acaba de chegar ao mar.
P. Pablo Lima in Semanário Ecclesia n.º 1530, 27 de Maio de 2016, pp. 36-37
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