I
Domingo do Advento
01
de Dezembro de 2019
Is 2, 1-5; Sal 121;
Rom 13, 11-14; Mt 24, 37-44
Rio Jordão, 15out2012
A Oração Colecta deste
1º Domingo do Advento diz mesmo: “Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade
firme de se prepararem (…) para ir ao encontro de Cristo”. A profecia de Isaías
(2,1-5), afirma “o monte do templo do Senhor se há-de erguer (…); ali afluirão
todas as nações (…), dizendo: ‘Vinde, subamos ao monte do Senhor’
”. É o mesmo gesto a que nos convida o Salmo (121), recitado nas peregrinações
a Jerusalém: “Vamos com alegria para a casa do Senhor”. Não
fiquemos aqui sentados à espera, vamos nós adiantar caminho ao Seu encontro.
Esse mesmo texto de
Isaías, tão alegre, tão “optimista”, que profetiza o fim das guerras e o
cuidado da terra… “converterão as espadas em arados e as lanças em foices”, foi
escrito estando Jerusalém esfomeada pelos impostos, sob o espectro da guerra,
esmagada pelos estrangeiros. Em 734 a.C., o rei de Israel em Samaria e o rei de
Damasco, assediaram Jerusalém e o rei Acaz pediu apoio a Tiglat-Pileser da
Assíria; o resultado foi uma pesada taxa em ouro e, desta forma, a cidade e o
povo ficaram em necessidade. Isaías anuncia, então, a esperança: não é agora o
fim, nem Jerusalém nem nós acabamos hoje e aqui… “sucederá nos dias que hão-de
vir”. Existe futuro, existe advento… mas não esperemos de braços cruzados,
“vinde, subamos ao monte do Senhor”.
Este não é um momento para
ficar tristes, enregelados, “à espera de tempos melhores”. Este é um tempo para
agir. Na Carta aos Romanos (13,11-14), Paulo escreve: “vós sabeis em que tempo
estamos: chegou a hora de nos levantarmos do sono (…) a noite vai adiantada e o
dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas (…) revesti-vos do Senhor
Jesus Cristo”. Enquanto o outono avança para o inverno e a natureza entra em
letargia, somos convidados a sacudir das costas o frio, a nostalgia, a preguiça
e a caminhar decididamente ao encontro de Cristo. É hoje, já hoje, que é
preciso mudar a nossa atitude interior mais profunda, andar para a frente. Há
mais de 1.600 anos, esta mesma leitura provocou uma mudança radical de vida num
homem chamado Agostinho que, abandonando o pecado e decidindo-se pelo baptismo,
tornou-se num dos maiores santos e teólogos da Igreja. Qual será o efeito
destas palavras em nós? Há pelo menos 443 anos que esta mesma leitura é
proclamada sempre no primeiro Domingo do Advento pois aparece já no Missale
Romanum de 1570. Quantas vezes já a ouvimos nós?
O
cristão não é uma pessoa sonolenta, que passa pela vida sem a tomar nas mãos. Em
vez disso, está sempre alerta para agarrar a oportunidade e saltar para a
frente. Eis a advertência de Jesus (Mt 24,37-44): “Estai vós também preparados,
porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem”. Jesus repreende
uma geração que vive sem reflectir, anestesiada pelos problemas ou pela
comodidade, uma geração que se assemelha àquela dos tempos de Noé, que não
fazia nada propriamente mau: “comiam e bebiam, casavam e davam em casamento,
até ao dia em que Noé entrou na arca e não deram por nada”. O seu único pecado
foi que “não deram por nada”, viviam distraídos, sem olhar para o que realmente
importa.
Ubi
sumus in via? Convém descobrir em que parte do caminho estamos.
Convém aproveitar o tempo, caminhar e encurtar a distância que ainda nos separa
do encontro com o Senhor. São Paulo, na 2ª carta a Timóteo (4,8), descreve os
cristãos com uma palavra muito bonita de que gosto tanto: os cristãos são os “amantes
da vinda do Senhor”. Esse amor é capaz de dar a volta a tudo, de virar as leis
da economia e do lucro, da sociedade e da política; esse amor é tão forte que dobra
a lei da gravidade e faz as nações “afluir”, como os rios… para cima! para o
monte do Senhor (Is 2,3).
P. Pablo Lima
In Notícias de Viana (1917), 28 de Novembro de 2019, p.
7.
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